sábado, 18 de junho de 2016

ÚLTIMA PREPARAÇÃO PARA JOGOS TEATRAIS


"A espontaneidade é um momento de liberdade pessoal quando estamos frente a frente com a realidade e a vemos, a exploramos e agimos em conformidade com ela."

Viola Spolin, 1979.


A dificuldade constelada estava relacionada à velocidade com que as coisas tinham de acontecer nesse evento para Jogos Teatrais, não podia ter pausa, os dispositivos de jogos careciam de precisão, o tempo e organização dos grupos precisavam de pontualidade e mais atitude. 

       A proposição para esta aula era a elaboração de "O quês" melhores que os da última vez, com problemas à resolver melhores, onde nós nos possamos nos envolver com tal problema, afinal de contas, na aula passada, no anfiteatro, a questão do problema ficou perdida, precisamos buscar problemas insolúveis, essa tensão vai exigir mais ação física e mental e criatividade vai surgir. 

      Um outro ponto para trabalharmos nessa oportunidade, é o estímulo sonoro, não deixar de dar estímulo sonoro para a plateia na hora da improvisação. A tendência é que encolhamos a voz no improviso porque estamos criando o texto na hora, contudo a regra de jogo é: Improvisar dando estímulo para a plateia. Entra a apresentadora, a música, os animadores... a ideia é o som não parar. Trata-se de uma questão da poética cênica se produzir atrás da imagem, e também se produzir através do som. Temos de considerar que estamos sob estímulo sonoro o tempo todo como é na TV: Comercial, propaganda, uma coisa atrás da outra, a música nas novelas, esse receptor não para. 

       Em se tratando desses receptores sensitivos, não podemos deixar de exercê-los em cena, porque são eles que captam elementos para serem enquadrados na cena, e só vamos conseguir estimular nossos sentidos exercitando o ato de teatrar, apenas experienciando esse momento. Sob a perspectiva de Spolin (1979), 

"Experienciar é penetrar no ambiente, é envolver-se total e organicamente com ele. Isto significa envolvimento em todos os níveis: intelectual, físico e intuitivo. Dos três, o intuitivo, que é o mais vital para a situação de aprendizagem, é negligenciado." 


      Enquanto professora das disciplinas de Voz, Corpo e Jogos Teatrais, Rejane Arruda é sempre pontual sobre darmos voz aos nossos sentidos, para confiamos na nossa intuição, nas nossas ideias insurgentes, para nunca desconsiderarmos um pensamento que achamos inútil, jamais negligenciar uma voz interior, porque o que vem de dentro nos pertence, é nosso, e é um material que chega in natura , é excêntrico. 

"A intuição é sempre tida como sendo uma dotação ou uma força mística possuída pelos privilegiados somente. No entanto, todos nós tivemos momentos em que a resposta certa “simplesmente surgiu do nada” ou “fizemos a coisa certa sem pensar”. Às vezes em momentos como este, precipitados por uma crise, perigo ou choque, a pessoa “normal” transcende os limites daquilo que é familiar, corajosamente entra na área do desconhecido e libera por alguns minutos o gênio que tem dentro de si. Quando a resposta a uma experiência se realiza no nível do intuitivo, quando a pessoa trabalha além de um plano intelectual constrito, ela está realmente aberta para aprender. " (SPOLIN, Viola. Improvisação para o teatro. São Paulo: Pespectiva, 1979.)

      Nessa apresentação teremos um intervalo para pensar nos dispositivos de jogos, esse intervalo será preenchido com a nossas produções da disciplina Audiovisual para Cena, que se tratam de esquetes diversas como jornal, propaganda, reality, programa de auditório e o do meu grupo, que é um clipe no qual fizemos a paródia de tema alimentar com a música Bang, da Anitta. 


       Ter tempo para escolher não quer dizer que não precisemos ter um repertório pré-preparado. Em outras aulas fizemos o Brainstorm de dispositivos de jogos (acesso ao brainstorm http://intrateatro.blogspot.com.br/2016/05/a-inseguranca-e-pulsao-que-o-palco.html), a ideia, portanto é manter acesas essas opções de quem, onde o quê. A professora ainda nos orientou a, na semana, termos uns 5 dispositivos pré-preparados. 

    Uma outra proposição e que tão percebi se deu certo, ao menos não comigo, foi o procedimento de escrever o Pensamento de personagem, sentimentos de personagem, emoção, possíveis falas externas e internas, porque a relação com o papel concentra. Nos foi proposto utilizarmos da escrita como aquecimento para não entrarmos frios em cena, mas entrarmos com o interno plugado, com um certo grau de pré-expressividade, se é que cabe o termo de Eugênio Barba nesse contexto. 

       Tive a impressão de que, por ser um ensaio para valer - vamos assim dizer -, houve uma fluidez bastante formidável. Conseguimos, por fim, organizar as trocas de grupo, o momento de interagir com a plateia, o intervalos com as produções de Audiovisual. A ideia é que, quanto mais experienciamos, mas ajamos com naturalidade. Esse contato com o ambiente, com a situação, nos direciona a uma ação de espontaneidade. Spolin (idem) defende que "A espontaneidade é um momento de liberdade pessoal quando estamos frente a frente com a realidade e a vemos, a exploramos e agimos em conformidade com ela.", logo, é cabível dizer que a realidade, o público, o acontecimento, o aqui e agora, são pulsantes e chamam o desejo (ou obrigação) em terminar o que foi começado. 

       O resultado disso tudo acontecerá na quinta-feira, 23, no Antiteatro da Universidade de Vila Velha, logo depois do "Vocal Hybridity in Performance". Venham! 


_____________________________________________________________________________
Referência Bibliográfica


SPOLIN, Viola. Improvisação para o teatro. São Paulo: Pespectiva, 1979.

Nenhum comentário:

Postar um comentário