Performance? Teatro Físico?
Roda. Aquecimento vocal. "Exercício de Si-Fu-Xi-Pa". Girar língua nos dentes. Empurrar as bochechas com a língua. "Fazer relógio" com a língua. O "Bla-xi". Pesquisar ressonâncias. Exercício de projeção da voz. Esse aquecimento está descrito nas postagens passadas das aulas voz, mais precisamente, nas aulas que antecederam a dedicação à Abertura de Processos Criativos.
Criamos um jogo com as marchinhas de carnaval que preparamos para a Abertura. A ideia era explorar os potenciais de corpo para imprimirmos nas músicas, porque nos demais ensaios estávamos como se num bloquinho de carnaval na rua cotidianamente, mas a proposição não é essa, mas sim o estranhamento. No jogo tínhamos um mediador, nosso querido Matheus, enquanto os músicos tocavam as marchinhas, Matheus dava o comando: Alunos de Gastronomia dançando as marchinhas, agora alunos de Medicina, agora alunos de Direito, agora os das Artes Cênicas e assim brincamos e exploramos fisicalidades diferentes.
A apresentação de voz, como descrita em postagens anteriores, consiste na utilização da voz cênica em diferentes atmosferas. Aqui, a voz é quem dirige o nosso corpo, porque todo nosso material interno é construído a partir do uso da voz.
Refletindo sobre essa apresentação me indaguei: o que estamos fazendo aqui? Não é uma peça teatral, não existe um texto, não existe uma linearidade dramática. Seria performance? Seria teatro físico? Esse último me levou à pesquisar sobre algumas definições e alguns vídeos também:
Vai Vem, um espectáculo de teatro físico
Shi-Zen, 7 Cuias - LUME Teatro (Brasil)
ALBINATI (2012, p. 288) cita duas concepções para comparar à nível conceitual o termo Teatro Físico, uma de Luiz Augusto Martins e a outra de Victor Seixas, respectivamente:
O termo Teatro Físico tornou-se conhecido nas artes cênicas nas ultimas três décadas do século XX. Cunhado na Inglaterra, vindo a definir uma extensa gama de criações que transitam entre a Dança, Teatro, a Mímica e o Circo. É resumido como a síntese entre fala e fisicalidade, é utilizado para definir todo o tipo de teatro que não tem como ponto de partida para a constituição da cena o texto escrito e onde a participação colaborativa dos atores, diretores, cenógrafos, dramaturgos e demais criadores seja crucial. ¹
A definição comum para Teatro físico é de um trabalho que pode se utilizar de texto, mas tem como foco principal o trabalho físico dos artistas, seus corpos seus movimentos no espaço. Um teatro extremamente visual onde a gestualidade/movimentação é o elemento primordial, colaborando ou as vezes substituindo a dramaturgia textual, também podendo substituir o cenário ou elementos cênicos pelo movimento/corpo dos artistas. ²
Podemos inferir que as concepções sugerem que a utilização da voz ou da fala, não são fator predominante num espetáculo. Apesar de poder partir de um texto, o objetivo é mostrar que o corpo pode falar. Fomento essa inferência à luz de uma publicação da Mimus, revista on-line de mímíca e teatro físico:
"...é um trabalho que coloca a fisicidade do artista cênico em primeiro plano no resultado estético final de uma performance, normalmente os grupos que se definem como teatro físico trabalham com texto falado em uma dramaturgia linear ou não, mas como o suporte de outras linguagens como: mímica, dança teatro, acrobacia sole e aérea, etc." ³
A pergunta que não quer calar: nossa criação para Voz pode ser considerada um teatro físico? A verdade é que estamos vivenciando um riquíssimo hibridismo, a metalinguagem, o multidisciplinar invade não só o nosso espetáculo, mas o mundo cênico. Conforme o novo surge, inserimos tudo no teatro, a ciência, a tecnologia, tudo se entranha na encenação, temos então um Teatro da Resistência, que nada é capaz de apagar e o que poderia colocá-lo em risco, nele cabe.
Para finalizar a aula, utilizamo-nos de um sistema de avaliação acadêmica proposto pela professora: Gosto, Critico ou Sugiro. É necessário uma espécie de maturidade para receber a crítica, para se utilizar de um espaço aberto às sugestões e também pontuar o que foi atraente e o porquê. No final, predominaram duas sugestões: ensaiar mais as cantigas e abrir debate no final do espetáculo.
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Notas
¹ http://www.dan.ufv.br/evento/artigos/GT5_LuizAugustoMartins.pdf - Teatro Físico – Vibração e Troca Humana nas manifestações populares da Espanha e no teatro de Federico Garcia Lorca - Luiz Augusto Martins
² SEIXAS, Victor. Disponível em http://www.mimus.com.br/glossario2.pdf. Acesso em 13/maio/21012.
³ Revista Mimus on-line de mímica e teatro físico. Disponível em <http://www.mimus.com.br/glossario2.pdf> Acesso em junho/2016.
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